Pediatria

Febre em criança: o que observar e quando procurar atendimento

A temperatura importa, mas o comportamento, a respiração e a hidratação da criança dizem muito mais sobre como ela está.

Por Dra. Lorraynne Mossi · CRM-SC 33624 Atualizado em 3 de setembro de 2026 7 min de leitura
Emergência

Se a criança tiver dificuldade para respirar, convulsão, sonolência incomum, manchas que não desaparecem à pressão ou piora rápida, procure atendimento presencial imediatamente ou ligue para o Samu, no número 192. Não espere uma consulta agendada.

Febre costuma preocupar, principalmente quando aparece em um bebê ou durante a madrugada. O termômetro ajuda, mas responde apenas a uma parte da questão. O estado geral da criança, a idade e os outros sintomas são tão importantes quanto o número mostrado no visor.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a temperatura axilar igual ou superior a 37,5 °C é geralmente considerada febre. Esse valor não deve ser analisado sozinho. Uma temperatura mais alta não significa, obrigatoriamente, que a doença seja mais grave. Da mesma forma, uma febre baixa pode acompanhar um quadro que precisa de avaliação.

Primeiro, meça a temperatura corretamente

Prefira um termômetro digital e siga as instruções do fabricante. Para medir na axila, deixe a pele seca, posicione a ponta do aparelho no centro da axila e mantenha o braço da criança junto ao corpo até o aviso do termômetro.

Anote o horário, a temperatura medida e os medicamentos administrados. Esse registro ajuda a evitar doses repetidas e facilita a conversa com o médico.

Evite avaliar a febre apenas encostando a mão na testa. A sensação ao toque pode enganar.

Observe a criança, não apenas o termômetro

Enquanto acompanha a febre, veja como a criança está se comportando:

  • acorda e responde normalmente?
  • mantém contato e demonstra interesse pelo ambiente?
  • consegue beber líquidos ou mamar?
  • está urinando?
  • respira sem esforço?
  • apresenta dor forte, vômitos repetidos ou manchas na pele?
  • melhora um pouco quando o desconforto diminui?

Essas respostas ajudam a perceber se o quadro pode ser acompanhado por algumas horas ou se a criança precisa ser examinada.

Quando é possível acompanhar em casa

Em geral, uma criança com mais de três meses pode ser observada em casa por um período quando:

  • está acordada e reage normalmente;
  • respira sem esforço;
  • aceita líquidos ou continua mamando;
  • está urinando;
  • não apresenta sinais de alarme;
  • o responsável consegue observá-la com frequência.

Mesmo nessas condições, procure orientação se algo no comportamento da criança parecer diferente ou preocupante. Pais e responsáveis conhecem o padrão habitual da criança e costumam perceber mudanças importantes.

O que fazer em casa

Ofereça líquidos com frequência. Para bebês em aleitamento materno, mantenha as mamadas. Não force alimentos se a criança estiver sem apetite por algumas horas, mas observe se ela consegue beber e se continua urinando.

Use roupas confortáveis e evite excesso de cobertores. Banhos frios, compressas geladas e álcool na pele não são recomendados. Além de aumentarem o desconforto, esses métodos não tratam a causa da febre.

O antitérmico tem o objetivo de aliviar o desconforto, não de manter a temperatura sempre normal. Use apenas um medicamento adequado à idade, na dose orientada para o peso atual da criança. Se não souber a dose correta, fale com um médico ou farmacêutico antes de administrar.

Não alterne antitérmicos por conta própria. Essa prática aumenta o risco de erro de dose e intoxicação. Crianças também não devem receber ácido acetilsalicílico para tratar febre.

Quando falar com o médico no mesmo dia

Procure orientação médica no mesmo dia se:

  • o bebê tiver menos de três meses e apresentar temperatura elevada;
  • a criança tiver uma doença crônica importante ou baixa imunidade;
  • estiver muito abatida, irritada ou diferente do habitual;
  • recusar líquidos ou mamar muito menos;
  • urinar menos do que o habitual;
  • apresentar vômitos repetidos;
  • tiver dor forte ou persistente;
  • surgirem manchas na pele;
  • a febre persistir, voltar repetidamente ou vier acompanhada de piora do estado geral.

A avaliação pode começar por telefone ou vídeo, mas o médico poderá indicar um exame presencial.

Quando procurar atendimento imediatamente

Leve a criança a um serviço de urgência ou ligue para o Samu pelo número 192 se ela apresentar:

  • dificuldade para respirar, respiração muito rápida ou afundamento das costelas;
  • lábios ou extremidades arroxeados;
  • sonolência incomum ou dificuldade para acordar;
  • confusão, pouca resposta ou comportamento muito diferente;
  • convulsão;
  • rigidez no pescoço;
  • manchas vermelhas ou arroxeadas que não desaparecem quando pressionadas;
  • incapacidade de beber líquidos, vômitos persistentes ou redução importante da urina;
  • dor abdominal forte e contínua;
  • sangramento no nariz, na gengiva, nas fezes ou no vômito;
  • piora rápida, mesmo que a temperatura esteja diminuindo.

Não espere uma consulta agendada se houver algum desses sinais.

Atenção à possibilidade de dengue

No Brasil, quadros de febre também exigem atenção à dengue. Dor forte na barriga, vômitos persistentes, sangramento, sonolência intensa ou piora justamente quando a febre começa a baixar são sinais que precisam de avaliação rápida.

Se houver suspeita de dengue, não use anti-inflamatórios, como ibuprofeno, nem ácido acetilsalicílico sem orientação médica. Esses medicamentos podem aumentar o risco de sangramento.

O número não conta toda a história

Não existe uma temperatura única que separe todos os quadros leves dos graves. Idade, comportamento, respiração, hidratação e sintomas associados precisam ser considerados em conjunto.

Se você estiver insegura, entre em contato com um profissional de saúde. Se a criança apresentar um sinal de urgência, procure atendimento presencial imediatamente.

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Este texto oferece orientações gerais. Ele não substitui a avaliação da criança nem deve ser usado para definir medicamentos ou doses sem orientação profissional.

Fontes consultadas

Dra. Lorraynne Mossi

Médica · CRM-SC 33624. Atende adultos e crianças por telemedicina e em domicílio, em Chapecó e região.